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O papel da escola na garantia de uma infância feliz



Dia 24 de agosto é o Dia da Infância, você sabe qual a importância desta data?


Chamamos nossa Assessora Pedagógica, a Prof. Ma. Isadora Roncarelli, para nos ajudar a refletir um pouco sobre o assunto.


O objetivo do Dia da Infância é promover uma reflexão sobre as condições de vida das crianças ao redor do mundo e defender que todos tenham acesso aos devidos cuidados e a tudo aquilo que necessitam para se desenvolver de forma plena e segura, independente do local em que vivem.


No Brasil, também é momento de refletir sobre a infância e suas particularidades, dando maior atenção para o Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº13.257/2016), lei que estabelece diversos programas, serviços e iniciativas voltados à promoção do desenvolvimento infantil, além de contribuir para a efetivação de políticas públicas e educacionais que visam melhorar a vida das crianças brasileiras, ou residentes no país.


O Marco é uma forma de garantir que os princípios do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) sejam cumpridos.


As instituições de ensino têm um importante papel na garantia dos direitos das crianças e na promoção de uma infância segura e feliz. As escolas de Educação Infantil, especialmente, são responsáveis por assegurar os direitos de aprendizagem e desenvolvimento da primeira infância, período que abrange os primeiros 6 anos de vida da criança.


Nesta etapa, as crianças expressam seus desejos e necessidades através de múltiplas linguagens: balbucios, choros, gestos, risos e, aos poucos, pelas palavras.


Estar atento ao que a criança expressa e garantir que ela tenha suas necessidades atendidas é uma forma de respeitar as infâncias.


Já as escolas de Ensino Fundamental precisam estar atentas à transição vivida pelas crianças assim que saem da Educação Infantil e chegam nesta nova etapa de ensino, sem esquecer que além de ocuparem este espaço como estudantes, ainda vivem sua infância, por isso precisam ter este momento respeitado na escola.


O uso do corpo para expressar desejos ainda é presente nesta faixa etária, então é preciso promover práticas que estimulem esta característica, sem limitar a criança ao espaço da classe ou da sala de aula, durante todo o período escolar.


Promover atividades e propostas que estimulem as interações a as brincadeiras, seja na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental, é fundamental para que as crianças se sintam seguras no ambiente escolar e tenham momentos felizes com colegas e professores.


Além disso, o aspecto do cuidado, defendido na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como essencial na escola, precisa ser cotidiano nas práticas pedagógicas das instituições que trabalham com a infância.


Mas será que todas as crianças têm acesso aos mesmos cuidados durante a infância? O direito de brincar, assegurado no Marco Legal da Primeira Infância, é garantido para todas as crianças?


Nosso papel enquanto educadores, ou familiares, também engloba refletir sobre os diferentes tipos de infâncias. Infelizmente, nem todas as crianças possuem acesso aos mesmos bens de consumo, serviços de saúde e educação, ou até mesmo ao direito de brincar.


O trabalho infantil, problematizado por muitos especialistas e considerado ilegal pela Constituição Federal do Brasil, ainda é um problema recorrente no país.


Esta prática coloca milhões de crianças e adolescentes, de acordo com dados da Justiça do Trabalho, em situações de risco e vulnerabilidade, causando, muitas vezes, afastamento da escola e a impossibilidade de uma infância segura e feliz.

Além disso, precisamos compreender que a infância se modifica ao longo das gerações, acompanhando o desenvolvimento da sociedade. Não há como compararmos as infâncias vividas há décadas, com aquilo que vivemos hoje, afinal o mundo mudou!


As tecnologias digitais, antes pouco presentes no contexto infantil, acompanham as brincadeiras e os fazeres das crianças desde muito cedo.


As famosas brincadeiras na rua, como antigamente, não são possíveis em todas as realidades do país e, por isso, não fazer parte do cotidiano de muitas crianças.


O papel da escola, dos educadores e cuidadores, portanto, é estimular as brincadeiras em diferentes suportes, tecnológicos ou não, promover momentos de reflexão com as crianças sobre as experiências vividas em suas infâncias, e valorizar as descobertas e aprendizagens que estes novos contextos oportunizam.


Valorizar as infâncias na escola é tornar o ambiente educacional um espaço onde o brincar seja protagonista, o cuidado seja garantido e os direitos das crianças sejam respeitados.

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