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O que fazer quando a criança não quer comer?


Crianças que dizem “não” e viram a cara para comidas (especialmente as mais saudáveis) são o pesadelo de pais e professores. É preciso persistência, paciência (em boas doses) e criatividade. Mas a boa notícia é que é possível ensiná-las a gostar de alguns alimentos que elas costumam recusar. A nutricionista infantil Nathalia Fioravanzo, que atende escolinhas, ensina como fazer isso:  


São muitos os casos de crianças que não querem comer?

Sim, muitos. Cada vez mais as crianças estão negando alguns alimentos, especialmente os importantes ao crescimento e desenvolvimento, como frutas e verduras. Muitas demonstram essa resistência de aceitação, não tem o hábito de comer algumas coisas em casa e são resistentes na escola. Hoje em dia, os pais têm uma preocupação maior com isso, porque há muito mais informação. O não querer comer, não aceitar alguns alimentos, é algo bem comum na faixa etária da educação infantil, já é algo esperado.


Em que idade isso mais acontece?

Quando eles são pequenos, até aceitam, mas vão crescendo e vai ficando mais difícil: normalmente isso acontece a partir dos dois anos, porque é quando desenvolvem mais autonomia, começam a fazer as suas escolhas…


O que fazer quando eles recusam alguma comida?

O período de faixa etária pré-escolar é o período em que se formam os hábitos alimentares, então precisamos continuar oferecendo com bastante paciência e frequência, usando de formas lúdicas, histórias, brincadeiras, para que elas tenham vontade de experimentar e ir se familiarizando com o gosto, e a tendência é que voltem a aceitar algumas coisas. Não pode desistir. Não é porque a criança não aceitou uma vez o alimento que não vamos mais oferecer. Se não aceita cenoura raladinha, por exemplo, podemos tentar oferecer de outras formas, cozida, em uma sopa, um purê… até que ela se acostume.  


Como criar bons hábitos alimentares?

É importante ter horários para as refeições, tentar ter rotina: se a criança come biscoitinho fora de hora, como ela tem um estômago pequeno, vai atrapalhar o apetite na hora da refeição. É preciso também sentar-se à mesa, evitar distração, nunca comer na frente da TV. Os pais e profes devem evitar chantagens (“se não comer, não vai fazer tal coisa”, “se comer, ganha tal coisa”), porque comer é algo natural, é fisiológico, a criança precisa se alimentar. A criança tem que provar pelo menos 10 vezes o alimento para se acostumar com o sabor e aprender a gostar dele. Tem que ser um pouco insistente e oferecer várias vezes, até que ela se acostume - claro, que isso não vai valer para tudo, pois a criança também tem as suas preferências.


O que pais e profes podem fazer?

A escola precisa ter um cardápio variado, que proporcione contato com diferentes alimentos, e as profes precisam incentivar a alimentação saudável. Fazer com que as crianças entendam o benefício dos alimentos, na linguagem deles, por exemplo: o brócolis verdinho para ficar forte como o Hulk, a fruta para ter cabelo comprido como o da Rapunzel… usar o que as crianças gostam para criar interesse. E pais e profes precisam dar o exemplo: a criança não vai comer de forma saudável se não ver os adultos fazendo isso e se não tiver à disposição na casa e na escolinha esses alimentos saudáveis. Vale também a estratégia de aproximar a criança do alimento, convidar para ajudar a preparar alguma receita com algum alimento que ela não aceite tão bem, na escola, investir em aulas de culinária, histórias, vídeos que incentivem a alimentação saudável, criar uma hortinha e fazer a criança acompanhar todo o processo, etc. Quando elas participam, eles tendem a comer melhor depois.


O que evitar na alimentação das crianças?

Antes dos dois anos de idade, não é recomendado dar doces e açúcar, porque como a criança já tem um paladar mais voltado ao doce, se oferece açúcar nessa fase, ela pode acabar rejeitando os sabores azedos e amargos, que são justamente os das frutas e verduras. E na idade pré-escolar (até os seis anos), evite oferecer alimentos industrializados. A criança precisa de ingredientes frescos, comida de verdade, não de pacotinhos.