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O que as escolas de educação infantil italianas podem ensinar às brasileiras


A pedagoga Lúcia Helena Sgorla passou 10 dias na Itália conhecendo de perto a abordagem das escolas de Reggio Emilia, que foram eleitas com um dos métodos educacionais mais eficientes do mundo.

A seguir, entenda algumas impressões de Lúcia sobre o dia a dia das crianças e professores na Itália:

  • O diálogo questionador é permanente com as crianças, não há respostas prontas por parte do educador, e sim o estímulo à pesquisa e à investigação. Eles trabalham com o potencial pesquisador da criança. Os educadores são observadores, criam propostas a partir do que observam da criança na interação e registram o que as crianças comunicam. Eles fazem o mínimo de interferências na construção da criança. O professor auxilia no aprendizado, trabalha em cima das hipóteses que as crianças vão trazendo e, a partir delas, vai propondo novas ações e interações. Oferecendo sempre algo a mais para elas explorarem e conhecerem.



  • Eles fazem a assembleia diariamente para organização das ações a serem realizadas, os grupos de pesquisa e exploração, apresentação de projetos desenvolvidos. O diálogo com, e entre, as crianças é permanente, as decisões, planejamentos, propostas são dialogadas e organizadas em grupo. Tem uma média de 20 crianças em cada sessão (turma), que são organizadas para as propostas do dia, colocadas em pequenos grupos de pesquisa, investigação, brincadeira livre, ateliê, entre outros. Assim que vão concluindo suas ações, circulam pelos espaços da escola e no pátio. Enquanto isso, um grupo auxilia no almoço e organiza o refeitório para todos almoçarem.


  • As escolas são pensadas com uma arquitetura especial, com desníveis, para a criança subir e descer, muita luz natural, muitas janelas, iluminação de sol… As salas são dispostas com uma grande oferta de diferentes materiais, tendo algumas mesas e bancadas, luminárias, retroprojetor, uma diversidade de pequenos espaços que convidam ao brincar e explorar dentro das salas. A arquitetura, eles entendem, é fundamental para o desenvolvimento da criança. As escolas são simples, parecidas com as nossas municipais, com aquele saguão grande e as salas distribuídas nas laterais, mas o que é disposto dentro da sala é diferente: tem muito material da natureza e peças de madeira (jogos não-estruturados) toco de madeira, pedra, muitas plantas e folhagens, além das tecnologias, computadores, microscópio...




  • Há uma forte crença no potencial das crianças como sujeitos pensantes, protagonistas e atuantes em seu aprendizado. Durante o curso (realizado nas escolas italianas) muitas pessoas se surpreenderam com isso: “como podem elas deixarem as crianças sozinhas nos espaços?” A pedagogista (coordenadora pedagógica) de lá disse que acreditam muito no potencial das crianças, conhecem-as bem e sabem as que podem e as que ainda não podem ficar sozinhas nos espaços. O potencial da crianças é valorizado e as habilidades são desenvolvidas permanentemente, garantindo a liberdade e a autonomia como sujeito de direitos.

  • A criança é simples em suas percepções de mundo. E a simplicidade das escolas de Reggio Emilia é algo encantador: a criança trabalha com a natureza, está brincando, mas está em constante pesquisa e aprendizado. O pedagogo idealizador da abordagem de Reggio Emilia, Loris Malaguzzi, considerava o espaço como o terceiro educador: o professor, o atelierista e o espaço são os meios de interação da criança, que juntas, em grupo, criam hipóteses, diálogos e percepções do mundo.



  • As famílias são envolvidas em todo o cotidiano da escola. Há um diálogo permanente entre as crianças e a sociedade. As crianças circulam muito nos espaços públicos, saem muito do espaço escola e dialogam com essa sociedade, que a valoriza e a respeita. Suas produções são expostas em diferentes espaços, as crianças desenvolvem produções para encartes, flyer, até mesmo a cortina de um teatro que foi desenhada pelas crianças. Existe uma valorização de suas produções e um respeito imenso, como sujeitos em uma fase peculiar de desenvolvimento.


  • Também há muito respeito à infância e a tudo o que ela representa em uma sociedade que deseja seres humanos livres, cooperativos e saudáveis. No sentido de respeito à infância, é muito diferente do contexto que temos hoje no Brasil. Toda a sociedade pensa na criança. Percebe-se que são crianças livres, respeitadas dentro do seu contexto infância. Não são pressionadas a fazer o que eles ainda não conseguem fazer, e uma dessas coisas é ficar quieta, em silêncio, comportadas, como os adultos desejam...

As pessoas me dizem, depois dessa viagem: “Ah, mas isso é lá na Itália, em outro país, primeiro mundo”. E eu sempre questiono: “São crianças? E crianças são crianças em qualquer lugar do mundo!” Cabe a nós, adultos, rever nossas concepções de criança e de infância.




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