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O OLHAR ATENTO E A ESCUTA SENSÍVEL


No último dia 18 de maio, tivemos a presença do professor Paulo Fochi junto de nós, na palestra “O educador, a criança e a pedagogia dos detalhes: inspirações na BNCC”, organizado pelo Reinventar e patrocinado pelo app Minha Escola.


Neste Encontro de Saberes, Paulo abordou diversas questões importantes e necessárias ao falarmos sobre a reinvenção da Educação Infantil a partir da (re)construção de uma concepção de infância.


Dentre tantas questões abordadas, nos parece que o começo do caminho se dá na possibilidade de olhar para as crianças a partir da compreensão de que estão descobrindo o mundo e que nosso papel como adultos – e, de alguma forma, educadores – está entrelaçado a oportunizar contextos, ambientes e situações em que tais descobertas sejam possíveis e respeitadas. Mais que isso, encontrar estratégias de educar sem invadir, de desenvolver a habilidade de respeitar a partir da vivência de uma relação respeitosa entre adulto-criança e criança-criança.


Precisamos, nesta perspectiva, construir intervenções e contextos que possibilitem que as crianças saibam que têm uma voz e que nós – adultos – as escutamos.


Mas, afinal, o que é ter voz e ser escutado?


Vivemos, quando crianças, um modelo homogeneizador de educação em que muito de nós precisávamos encontrar uma forma padronizada de ser no mundo, uma forma que nos dizia exatamente como se comportar e que atravessava nossas necessidades pessoais e subjetivas para dar conta desta demanda. Muitas vezes, nesse processo, falar, expressar-se, construir uma narrativa era algo impossível no contexto escolar – e, em algumas realidades escolares ainda é. Uma vivência que não olhou para o que é ser-criança diante das múltiplas possibilidades de infância e seus contextos. Ter voz é garantir o protagonismo da criança em seu próprio processo de aprendizagem. Isso implica em uma questão muito complexa que é a formação de professores, uma formação que muitas vezes ensina o educador a falar e não privilegia o desenvolvimento da habilidade de escuta; uma realidade escolar que fala sobre olhar aspectos do desenvolvimento, mas não para tudo para observar e olhar com atenção.


Escutar, nesse sentido, é muito mais que ouvir. Olhar, é muito mais que ver. Está ligado a atentar-se aos detalhes, às sutilezas das descobertas no cotidiano infantil.


Se para ser ouvido seu aluno precisa gritar, puxar seu casaco, insistir... atenção. Este pode ser um sinal de que a escuta não está sendo validada. Ela é um exercício diário, mas um exercício ligado a um propósito educativo, um exercício de humanidade. Escutar as crianças e olhar para além do que está naturalizado significa oportunizar o lugar de cada sujeito como único, em um processo de cuidado e auto responsabilização. Constituir esse lugar para o processo de aprendizagem está atrelado à perspectiva de colaborar para uma educação pautada no respeito a todos, à singularidade e à coletividade, à oportunidade de descobrir o mundo a partir de um olhar sensível que valida que a criança aprenda na vivência cotidiana sobre quem é e se responsabilize perante o mundo diante disso.



Texto: Mariana Selbach Castilhos – psicóloga (CRP 07/24809) e Co-fundadora do Reinventar.