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“Existe curso para ser pai e mãe?”

Qual pai ou mãe já não se perguntou alguma vez sobre isso? Antes de me tornar mãe, tinha a impressão de que seria simples, só seguir minha intuição. Mas a realidade foi bem diferente daquilo que eu idealizava.


O bebê foi crescendo e, com ele, os desafios de comportamento. Aquilo que eu sabia e que dava certo no consultório já não parecia ser a melhor escolha, não funcionava tão bem em casa. Me deparei com minhas crenças sobre o que é importante na educação dos filhos: obediência, ensinar o que é certo e o que é errado. Punir o mau comportamento, recompensar o que eu entendia que era certo. Tinha uma convicção, falava com orgulho que era rígida. Mas, no fundo, sentia um enorme desconforto com tantas dificuldades e com as reações e respostas do meu primeiro filho ao que eu fazia. Perceber a ansiedade dele e notar que não se sentia confiante para fazer pequenas escolhas foi bem impactante para mim.


Eu sempre fui carinhosa. O que eu não sabia era ser gentil e firme diante do “erro”, diante da birra. Não sabia disciplinar se não fosse com a cadeirinha de pensamento, ou medo da privação de algum brinquedo, atividade ou mesmo alimento (“se não comer tudo, não vai ganhar sobremesa”).


Eu sabia que não queria usar castigos físicos porque senti na pele as consequências disso na minha história. No entanto, não tinha recursos suficientes para me sentir confiante e realmente nutrir o relacionamento que eu gostaria, pensando na responsabilidade enorme da educação de um outro ser humano.


Foi em 2014, lendo o livro Comunicação Não-Violenta, de Marshall Rosenberg, que esse universo começou a se expandir. Já nos primeiros capítulos, tive a sensação de ter levado uma pedrada, quando a questão da obediência é levantada. Percebi que usava ferramentas diferentes, mas meu objetivo era o mesmo dos meus pais: OBEDIÊNCIA. Precisei de alguns meses para processar de fato isso e todos os impactos que isso pode representar.


Logo depois, em 2015, encontrei a Disciplina Positiva e os princípios e ferramentas que me ajudaram a colocar em prática tudo aquilo que fazia tanto sentido pra mim. Hoje essas duas filosofias ancoram a minha vida, o meu trabalho e todos os meus relacionamentos.



Você sabia que é relativamente recente na história da humanidade que nós tenhamos casas com núcleos familiares menores e criemos filhos sozinhos? Isso aconteceu depois da 2ª Guerra Mundial, na qual houve uma grande migração das pessoas para as cidades. As famílias começaram a residir em lares formados apenas por pais e filhos.


Até então, durante milhares de anos, a arte de criar filhos era aprendida na convivência. Mesmo os peregrinos formavam comunidades para compartilhar saberes, afazeres e experiências. Se apoiavam, cuidavam uns dos outros, pois moravam muito próximos.

Essa geração pós 2ª Guerra inaugurou – de certa forma – essa modalidade de parentalidade e também uma cultura forte de “nossos problemas resolvemos em casa”. Ser pai e mãe se transformou numa aventura relativamente solitária.

Ficamos perdidos. Sabemos que não queremos certas coisas, repetir determinados padrões, mas também não desejamos ser permissivos. E onde está o equilíbrio disso? Muito desafiador.


O estudo do livro Disciplina Positiva foi muito importante para a minha tomada de consciência. No entanto, mudar padrões é uma jornada árdua e, em muitos momentos eu ainda me sentia perdida, sabendo mais o que não fazer e menos sobre como conduzir aquela situação de maneira saudável e respeitosa tanto para a criança, quanto para mim. Assim, surgiu o desejo de estar com outras pessoas trilhando esse caminho, apoiando e sendo apoiada, fortalecendo as nossas habilidades para sermos modelos mais positivos e conscientes. Essa foi a grande virada de chave!


A Disciplina Positiva e a Comunicação Não-Violenta não tem a pretensão de que sejamos pais e educadores perfeitos, mas que nos tornemos mais conscientes dos nossos padrões e crenças e de como isso impacta na vida das crianças. Também nos oferecem ferramentas para compreendermos o que está por trás do comportamento e para conduzirmos a situação de forma gentil e firme ao mesmo tempo. Isso faz toda a diferença na conexão e, consequentemente, na saúde do relacionamento.


E você? Já se deparou com esses questionamentos? Já se sentiu perdido diante do desafio na educação dos seus filhos? Já se viu repetindo comportamentos que detestava e que imaginava que não faria quando fosse sua vez de ser pai ou mãe? Tem dúvidas sobre os limites entre o que pode e o que não pode ser negociado? Se sim, te convido a buscar mais sobre esses dois temas, porque há luz no fim do túnel! E todos ganhamos muito ao nutrir relacionamentos mais saudáveis: nós, as crianças e o mundo.



Danielle Peres Toigo é fonoaudióloga, educadora parental e certificada pela Positive Discipline Association, facilitadora de Círculos de Construção de Paz e de Comunicação Não-Violenta.


E-mail: danielletoigodp@gmail.com

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