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Cuidados com a voz para professores

Atualizado: 14 de Ago de 2019


Todo professor, especialmente o de crianças pequenas, já teve problemas de rouquidão ou até mesmo de falta de voz. O que pode ser enxergado como uma coisa comum e rotineira merece um pouco mais de atenção para que não se torne algo mais grave. Afinal, a voz é essencial para um professor. “As lesões das pregas vocais interferem muito na qualidade vocal, e, para um professor, ficar sem voz ou ficar com uma voz extremamente rouca é muito complicado. Com o tempo, além da qualidade ruim da voz, ela perde a potência, a pessoa cansa muito para falar, e para o profissional, isso é o fim”, diz a fonoaudióloga Cinara Fonseca de Andrade, que é pedagoga, especialista em linguagem e em fonoaudiologia educacional. Ela listou algumas dicas para uma higiene vocal adequada. Veja a seguir: 

Respeite as horas de sono. Quem usa bastante a voz, precisa fazer repouso vocal e isso acontece durante sono obrigatoriamente. 


Use roupas confortáveis para trabalhar. Ao usar calças mais justas, por exemplo, a região abdominal dificulta a respiração. A livre movimentação do diafragma é muito importante, é preciso ter condições de respirar bem. Evite também apertos ou muitos acessórios no pescoço e outras roupas justas no geral.


Muitas pessoas, especialmente durante a fala, usam a respiração oral. Mas a respiração precisa ser nasal, ela é a base e suporte para a fala. Se o ar está entrando pela boca, isso significa que ele está entrando sem estar sendo filtrado, aquecido e umidificado. Além de problemas de voz, isso previne problemas respiratórios. Respirar bem é fundamental para a qualidade de vida, e a respiração tem relação importantíssima com o emocional. Muitas vezes, pela demanda de trabalho, o professor acaba tendo desgaste. Então se ele consegue coordenar a respiração (fazer com que ela seja mais abdominal, mais baixa, mais lenta e tranquila) ele vai ter um controle emocional melhor. Quando estamos acelerados, fazemos uma respiração mais superior, mais curta, e isso gera ansiedade e stress, principalmente para os professores. 


A hidratação é fundamental! É essencial que o professor beba muita água em temperatura ambiente. Cuide da temperatura da água, porque se ela está em uma temperatura muito diferente do corpo, ele reage para se defender, gerando mais muco. A água em temperatura ambiente mantém a prega vocal hidratada e dificulta o aparecimento de lesões. 


Qual quantidade de água é suficiente durante um dia? Uma dica é observar a cor da urina, que deve ser clara. Caso seja escura, é sinal de que a pessoa não está se hidratando o suficiente. Um professor precisa saber que tem que tomar mais água do que uma pessoa de outra profissão, já que o uso da voz é muito mais constante para ele. Leve sempre uma garrafinha e tome uma ou duas por turno. 


Os hábitos alimentares também são muito importantes: evite os alimentos gordurosos e condimentados, especialmente à noite. Se comer frituras à noite, a chance de ter refluxo é grande, e isso agride a mucosa da laringe. Evite comer e, logo em seguida, dormir. Tenha uma dieta leve também antes de fazer uso da voz. Dê preferência aos alimentos adstringentes, como a maçã, que dilui a saliva, ou os sucos naturais cítricos sem açúcar. O chocolate, por exemplo, deixa a saliva mais espessa e vai fazer a pessoa pigarrear e tossir para limpar a garganta, o que é super agressivo à prega vocal. 

Não fume. O cigarro, além de esquentar muito a prega vocal, faz com que o fumante tenha a tendência de aumentar a secreção para poder defender a prega vocal e a laringe. Quem fuma desenvolve mais muco, pigarro e lesões. 


Não use balas e pastilhas para “aliviar a garganta”, pois elas anestesiam a ardência e a pessoa segue abusando da voz, sem sentir mais dor, e as consequências acabam sendo piores. A dor e a rouquidão são sintomas importantes para mostrar que algo não está normal, e quando a pessoa usa uma pastilha, ela não está agindo na causa do problema (que é o mau uso da voz). 


Evite ambientes muito ruidosos, para que a voz não tenha que se elevar para competir com os sons do local. Outras coisas que devem ser evitadas é o giz dos quadros (pois o pó dele faz mal ao nariz e às pregas vocais) e o ar condicionado durante longos períodos de tempo. 

Pigarrear e tossir não podem ser hábitos! Se há dor e rouquidão, é preciso ter repouso e adequada hidratação. Não continue forçando a voz. Se isso acontecer, a tendência é piorar e não melhorar, porque existem lesões comuns a professores e outros profissionais que usam muito a voz, e essas lesões precisarão de tratamento médico. Muitas vezes, esse tratamento será associado à terapia fonoaudiológica. Se a dor e a rouquidão permanecerem, procure um otorrinolaringologista. O professor precisa cuidar da sua voz desde cedo.