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Crianças e celulares: saiba como dar limites para essa relação



As crianças de hoje não são as mesmas de cinco anos atrás. Criadas em meio a tantas opções tecnológicas e facilidades de acesso ao entretenimento e comunicação, é difícil ver uma criança hoje que já não tenha tido contato com um tablet ou um celular.


Mas quanto tempo diário é considerado “saudável” para que uma criança tenha contato com a tecnologia?


Em uma entrevista para a Revista Época Negócios, a psicóloga Sharon Thomas, alertou sobre isso. Sharon é especializada em educação com formação na Georgetown University e fundadora do Centro de Educação e Recursos MAIA, que analisa a efetividade da tecnologia dentro e fora da sala da aula. Para ela, saber escolher a idade e o momento para dar um celular a uma criança envolve analisar duas questões: qual função o aparelho vai ter na vida dela e qual será o comportamento da criança e seu entendimento sobre limitações e privações. "Muitos pais me falam: 'Minha filha tem 5 anos, a amiguinha tem um celular já e ela quer também', mas eu acho um crime dar um celular para uma criança de 5 anos. Nesta idade, ela não desenvolveu as habilidades básicas."


Segundo Sharon, a tecnologia oferece muitos benefícios mas é preciso monitorar as crianças para não criar vícios, desânimo e até comprometimento no desenvolvimento. Além de dar limites, é preciso dar exemplos: um pai (ou até mesmo uma profe) que passa todo o tempo usando o celular, não pode exigir que a criança não queira fazer o mesmo. Outros conselhos indicam que os adultos estabeleçam períodos em que mídias não devem ser usadas pelas crianças, como refeições (porque isso desconcentra a criança e a incentiva a não comer) ou então antes de dormir (pois prejudica o descanso).


Conforme estudos que analisaram o efeito do uso dos tablets, quando crianças pequenas estão olhando para telas, podem estar perdendo oportunidades de praticar e dominar outras habilidades importantes. Por isso, alguns pesquisadores defendem que isso poderia atrapalhar interações sociais e limitar o tempo em que as crianças passam praticando outras habilidades físicas, como correr, por exemplo. Até agora, não há provas concretas de danos que o uso da tecnologia pode trazer às crianças, mas os especialistas ressaltam que mesmo assim faz sentido limitar o tempo de uso de telas e garantir que essa atividade não atrapalhe as interações com outras pessoas e o tempo em família.


Veja o que as diretrizes da Associação Americana de Pediatria indicam a pais e profes:

  • Para crianças com menos de 18 meses, evite qualquer uso de tela.

  • Pais de crianças com idades entre 18 e 24 meses devem escolher uma programação de qualidade e assistir junto com seus filhos.

  • Para crianças de 2 a 5 anos, o uso de telas deve ser limitado a uma hora por dia e a programas de qualidade. Os pais também devem assistir com os filhos.

  • Para crianças de 6 anos ou mais, imponha limites consistentes, garantindo que o tempo de tela não atrapalhe o sono e a atividade física.


O Royal College of Pediatrics and Child Health, órgão de pediatras no Reino Unido, recomenda que as famílias se perguntem o seguinte:

  • O tempo de tela na sua casa é controlado?

  • O uso de telas interfere no que a família quer fazer?

  • Você consegue controlar o que a criança come durante o tempo de uso de tela?

  • O uso de telas interfere no sono?

Se a família se sentir satisfeita com as respostas, é sinal de que está se saindo bem em impor limites a esta relação. Se as respostas forem preocupantes, é hora de reavaliar algumas normas da casa e conversar com as crianças sobre isso.