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Como trabalhar a história do Brasil em sala de aula?



Nesta semana, no dia 07 de setembro, comemoramos o Bicentenário da Independência do Brasil.


Esta data, bastante lembrada por conta do feriado nacional, é importante no contexto histórico de nosso país, precisa ser valorizada, mas também problematizada, afinal a história é contada e recontada a todo momento, conforme novos estudos são realizados e outras perspectivas são observadas.


Por isso, nossa Assessora Pedagógica, Profa. Ma. Isadora Roncarelli, preparou um texto para ajudar educadores e educadoras a refletir sobre o ensino de história nas escolas.

Aprendemos, através dos livros e de nossas vivências como estudantes, que no dia 07 de setembro de 1822 D. Pedro I, às margens do Rio Ipiranga, gritou de cima do seu cavalo: “Independência ou morte!”, e que a partir deste feito houve o rompimento de Brasil com Portugal, momento em que deixamos de ser colônia portuguesa e conquistamos a independência.


Hoje, sabe-se que há muitas controvérsias em relação a esta história, afinal compreende-se que a independência na verdade foi parte de um acordo entre os dois países, como forma de apaziguar as revoltas que ocorriam internamente no Brasil, além de favorecer o comércio e a exportação de nossas riquezas. Esta cena, de D. Pedro I às margens do rio, foi construída pelos líderes da época.


Isso significa, então, que a independência não pode ser comemorada ou não deve ser valorizada nas escolas? É claro que não!


Por mais que as circunstâncias não tenham sido as ideais, e que ainda por muito tempo o nosso país tenha sido dominado por Portugal e por outros países colonizadores, a independência foi o primeiro passo para que pudéssemos hoje viver sob a Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada muito tempo depois, em 1988, com muita resistência do povo pelo reestabelecimento da democracia.

Conseguimos perceber, portanto, que por muitos anos a história do Brasil foi contada somente pela lente dos colonizadores, com o estigma de ter sido uma terra “descoberta” por povos vistos como superiores aos nativos, o país constituiu-se com raízes colonialistas e escravocratas.


A população indígena, povos originários da nossa terra, teve sua voz silenciada e sua história apagada, sendo por muito tempo esquecida ou estigmatizada inclusive dentro das escolas.

Mas por que é importante refletir sobre estes aspectos da história do Brasil?

Como educadores, somos responsáveis pela formação de sujeitos posicionados historicamente e situados criticamente na sociedade em que vivem. Quando planejamos trabalhar com datas comemorativas, especialmente as datas históricas como é o caso do dia 07 de setembro, precisamos refletir sobre qual história desejamos contar.

Se somos parte de uma nação formada por majoritariamente pretos e pardos, é justo que a única história contada nas escolas e aprendida pelas crianças e jovens seja a história narrada e protagonizada por brancos?


Será que não há espaço, em nosso planejamento didático, para reflexões mais aprofundadas sobre o passado que nos constituiu enquanto povo?

Além de trabalhar com os símbolos nacionais, o brasão, a bandeira, o hino, é importante que trabalhemos com nossas crianças e adolescentes os contextos em que estes símbolos foram criados e a história de todos e todas que ajudaram a constituir o país.


Abordar aspectos sociais e políticos da época da colonização até a data da Independência, por exemplo, é uma forma de fazer com que desde cedo os estudantes compreendam qual história – e principalmente a história de quem – escolheu-se contar nos livros didáticos e na mídia em geral.


O que aconteceu com os indígenas que já habitavam este território antes da chegada dos colonizadores? Quem eram os povos escravizados trazidos a navio para explorar nossas riquezas em nome dos mais poderosos? Como isto influencia na formação da sociedade atual do Brasil?

Parece complexo discutir isso com as crianças e adolescentes? Mas não precisa ser! Saber sobre nossa história é fundamental para nos constituirmos cidadãos atentos aos nossos direitos e deveres, prontos para exercer sua cidadania e construir um futuro mais justo e que represente toda nossa população, principalmente aquela que por muitos anos ficou à margem de nossa história.


Quer dicas de como abordar estes temas em sala de aula? Fique atento(a):

Com os pequenos, ainda na Educação Infantil, podemos trabalhar com lendas, músicas e danças das culturas indígenas e africanas, valorizando os aspectos positivos dessas culturas para a formação do nosso povo.


Com o tempo, conforme as crianças se habituam com a historicidade, é possível propor rodas de conversa para que as crianças dialoguem sobre aspectos do nosso passado.


Que tal pedir para que investiguem sobre sua história e a história de sua família? Essa é uma maneira importante de fazer com que, desde pequenos, entendam que todos somos sujeitos históricos e, por isso, devemos ter nossas memórias valorizadas.

Com as crianças um pouco maiores, dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, já podemos trabalhar com as diferentes fontes históricas.


Será que só os livros e documentos oficiais contam a história de um país? Se para sabermos nossa história recorremos aos nossos familiares, documentos e fotos, isso significa que a história oral e as fotografias também são fontes de pesquisa na história.


Podemos então, investigar as histórias orais contadas pelos povos originários do Brasil, além de relacioná-las com aquilo que está registrado oficialmente.

A partir do 4º ano do Ensino Fundamental a compreensão dos tempos históricos se amplia, desta forma já é possível abordar mais detalhadamente as datas oficiais, compreender sua importância na formação do país, relacionar com os acontecimentos da atualidade e posicionar-se criticamente sobre a forma como essa história é contada.


Relacionar o passado com o presente é fundamental para que tenhamos novas visões de futuro, inclusive na perspectiva de uma sociedade mais justa e democrática, preocupada em evoluir enquanto nação, respeitando as individualidades e combatendo desigualdades.


Por isso, colega educador(a), leia, pesquise, informe-se, e, acima de tudo, reflita sobre seu fazer pedagógico e sobre o ensino de história na escola. Antes de planejar a aula, observe sua sala de aula: quem são os sujeitos que a compõe? De qual história eles são protagonistas? Quando escutarem a história que você tem pata contar, estes estudantes irão se identificar? Estes questionamentos nos ajudam a melhorar nossa prática e aprimorar o ensino de história nas escolas.


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