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Como as escolas infantis estão se reinventando em tempos de coronavírus?

Atualizado: Jun 22

A Minha Escola conversou com algumas Escolas de Educação Infantil e trouxe como elas estão fazendo para se reinventar nesse momento de pandemia e que soluções estão usando para fortalecer o vínculo com as famílias mesmo a distância.

Na primeira infância, oferecer atividades divertidas, desafiadoras, fortalecer o vínculo e buscar apoiar as famílias para manter a rotina normal dos pequenos é fundamental nesse momento de isolamento social.


Durante a pandemia de Covid-19, pais com filhos em idade pré-escolar podem encontrar dificuldade para entender como seguir ensinando em casa até a volta das aulas atualmente suspensas. 

Diferente das crianças mais velhas, os pequenos matriculados nas escolas de educação infantil ainda não estão acostumados a acompanhar aulas à distância ou ter grade curricular a cumprir durante o ano letivo. 

Para as crianças menores, o aprendizado acaba acontecendo de maneira mais livre, durante o dia todo, com a realização de algumas atividades para estimular habilidades específicas. Por isso, a escola deve estimular os pais a abrirem espaço para brincadeiras, propor bastante movimentação física e incluir a criança na rotina de tarefas da casa. 


Como as escolas estão atuando nesse período 

Algumas escolas de educação infantil estão enviando propostas de atividades e materiais aos pais. “No início, as famílias estavam mais perdidas por estarem sem o apoio da escola, por isso nossa primeira preocupação foi oferecer suporte para estruturar uma rotina para a criança”, explica Carla Souza, psicóloga da Escola Caminhos do Aprender, de São Paulo. 


A Escola tem enviado vídeos via agenda digital escolar com atividades de cinco a dez minutos que propõem experiências lúdicas. E, seguindo a proposta pedagógica da escola, os pais foram orientados a criar cantos na casa com diferentes propósitos para as crianças: um cantinho com almofadas para brincadeiras físicas, um canto das artes, com materiais para desenho, escultura e música e o canto da literatura, com uma lanterna e livros compatíveis com a idade. 

“O objetivo é que a criança tenha liberdade para escolher qual lugar irá explorar e os pais combinem que ela ficará ali por um período, enquanto eles estão, por exemplo, trabalhando”, comenta Carla.


A escola de educação infantil Pequeninos, de Santa Catarina, envia também por meio de agenda eletrônica roteiros semanais para engajar as famílias. São atividades lúdicas que envolvem música, brincadeira e contação de histórias. “Para manter o vínculo, os professores aparecem em vídeos curtos e além de passar algumas atividades eles conversam com as crianças e com as famílias perguntando como está a rotina, relembrando alguns momentos da escola. Esses encontros acontecem em grupo e de forma individual, ou seja, a educadora e o aluno”, comenta Débora Silva, coordenadora pedagógica da escola.  

Outra sugestão super bacana das instituições é oferecer conteúdo voltado para o apoio psicológico das famílias. A Escola Kids , do Rio Grande do Sul, preparou uma série de encontros online com os pais mediados por uma psicóloga. Entre os temas estava, medo e ansiedade durante a pandemia, organização da rotina familiar, entre outros. Tudo isso para dar suporte ao pequenos e as famílias nesse momento de isolamento social.


A Escola Aconchego, também do Rio Grande do Sul, teve que se reinventar. A nutricionista da Escola, Simone Veiga, entrou em contato com as famílias dando dicas de alimentação nesse período de quarentena para reforçar a imunidade, sugerindo alimentos com vitamina C e Zinco e também passando receitas que as crianças adoravam comer na escola. "As famílias acabam fazendo receitinhas que tem o sabor da escola e para as crianças desperta a memória afetiva"


Outra iniciativa muito legal foi da Escola Pintando o 7, do Rio Grande do Sul. Foi organizado um delivery; O sabor da Pintando na sua casa. A escola se organizou e entregou na casa das famílias um almoço especial, lembrando o cheirinho de comida caseira que perfumava a Escola


Atividades bacanas para o desenvolvimento  

Conforme a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), documento do Ministério da Educação que regula e norteia a educação no país, durante a educação infantil o principal é promover interações e brincadeiras, para estimular a criança se desenvolve emocional e cognitivamente. 

A palavra de ordem é estimular. Dos zero ao cinco anos e onze meses, a criança está formando várias habilidades que serão fundamentais para o seu desenvolvimento escolar. Entre elas, o desenvolvimento motor, trabalhado na primeira infância com atividades como correr e pular. Estamos destacando aqui a movimentação física intensa, os desafios de como encaixar formas, equilibrar coisas, contornar obstáculos, jogar bola e até mesmo fazer uma guerra de almofadas. 


Outra competência importante, a linguagem, pode ser trabalhada com o uso de livros e, principalmente, muito diálogo com os pais. “Nesse período, os pais devem interagir ainda mais com os filhos, ler histórias em voz alta, fazer perguntas sobre cotidiano, gostos e responder às dúvidas”, comenta Clara Bondan, psicopedagoga da Escola Piu Piu do Paraná.

Da escovação dos dentes a hora do banho, escolher a roupa ou separar os materiais para as atividades, a criança deve participar dessas tarefas. “É fazer a criança pensar, sendo um sujeito que faz parte e não um objeto a ser manipulado ou comandado”, comenta Clara.

Para isso, distribua atividades de acordo com a faixa etária da criança. Como por exemplo ajudar a colocar a mesa, aprender a tomar banho sozinho e organizar os brinquedos.


Como as crianças pequenas estão em pleno desenvolvimento, qualquer hora é uma oportunidade para estimular esses pitocos, estímulos como capacidade matemática, pensamento lógico, inteligência emocional e autorregulação.

A Escola Infantil Crescer de São Paulo fez com as famílias a criação de um quadro com as atividades diárias, como já ocorria na Escola. “O quadro deve ter bastante apoio visual, para que a criança compreenda seu conteúdo sem saber ler, e o ideal é que seja construído em conjunto, discutindo o que será feito naquele dia”, comenta Tainá Lopes, coordenadora pedagógica da Escola.


Pais não são professores

É muito importante ter isso em mente para que o período não seja frustrante para a família. Pais não são educadores, mas sim mediadores temporários, e ideia de que é preciso dar conta de tudo pode levar ao estresse.

Tenha em mente que a criança nesta fase não está “perdendo aula”, mas sim ganhando a oportunidade de passar mais tempo com os pais, uma figura diferente do professor, mas que contribui de maneira única para o desenvolvimento infantil.

Seja flexível, sem pressão para realizar todas as atividades proposta pela escola, já que elas se somam às tarefas do lar e ao tempo passado brincando sozinha. “A riqueza da escolha dela é enorme neste momento, e fazer algo que deseja desenvolve a autonomia e a autoestima da criança”, comenta Tainá

Por último, vale ressaltar que, em um período conturbado, crianças podem manifestar a tensão com mudanças de comportamento, choros e episódios mais frequentes de birra. “Nesse sentido, organização da casa, manutenção da rotina, apoio afetivo, presença e estrutura das dinâmicas familiares farão mais diferença do que lições para que a criança volte para a escola tranquila e bem quando a pandemia acabar”, encerra Tainá. 

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